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Haiti: como lidar com tantos corpos?
Desgraça nas ruas de Port-Au-Prince. As imagens são chocantes e os relatos reveladores.
São imagens impressionantes as que vão chegando do Haiti. Corpos amontoados nas ruas, debaixo dos escombros ou em valas comuns. Enquanto a ajuda não chega com eficácia a todas as zonas afectadas pelo sismo, as autoridades locais não escondem a falta de recursos para lidar com a tragédia.
Uma notícia falsa sobre o terramoto no Haiti foi amplamente divulgada no Twitter nesta quinta-feira. O boato informava que a companhia aérea norte-americana American Airlines realizaria voos gratuitos para levar médicos e enfermeiras. Em entrevista à, um porta-voz da companhia aérea assegurou que a informação é falsa.
«A American Airlines está a levar médicos e enfermeiras de graça para o Haiti. Ligue para este número para ajudar agora!», diz o texto publicado no twitter. O número telefónico divulgado nas mensagens é do consulado do Haiti em Nova Iorque.
O dado verdadeiro relativamente à American Airlines é que a companhia enviou três aviões com mais de 13 toneladas de suprimentos como água, comida e outros bens não perecíveis. Para além disso, criou uma promoção para os seus clientes, oferecendo até 500 milhas de bónus a quem doar até 100 dólares para os atingidos pelo terramoto.
Declarações infelizes vão-se acumulando. Depois de um televangelista ter dito que os haitianos estão a pagar por terem feito um «pacto com o Diabo», agora o cônsul geral do Haiti em São Paulo admitiu que há um lado positivo na tragédia.
Antes de uma entrevista ao programa «SBT Brasil», George Samuel Antoine não sabia que a câmara já estava a gravar e confessou ao jornalista: «A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...».
Entretanto, o Governo português continua a tentar localizar dois portugueses que estariam no Haiti na terça-feira. Por outro lado, foi já localizado o cidadão angolano que trabalhava para uma Organização Não Governamental (ONG) e cujos familiares tinham pedido ajuda às autoridades portuguesas para saber do seu paradeiro.
15.01.2010
