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SIDA: a epidemia global

O que sabe sobre o vírus VIH/Sida? Até que ponto poderá aconselhar alguém sobre os métodos de prevenção? Conhece o ACT? O grupo VIVER?

Quando a Sida surgiu pela primeira vez no radar dos médicos, em 1981, o dignóstico era de uma sentença de morte.

No entanto, na última década, o diagnóstico sofreu grandes mudanças, conforme ia surgindo evidência que veio provar que as pessoas podiam viver muitos anos com a Sida, caso tomassem determinados medicamentos.

Um estudo, publicado em Novembro de 2006 no Jornal Médico da Nova Inglaterra, apresentou a melhor evidência de sempre sobre doença ao provar que a terapia anti-retroviral ao longo da vida transformava o HIV/Sida numa doença crónica em vez de uma sentença de morte.

O estudo revelava que as pessoas que interrompiam temporariamente o tratamento para reduzirem os efeitos secundários do mesmo tinham o dobro do risco de virem a morrer da doença em comparação às que nunca o tinham interrompido.

Esta descoberta foi uma grande revelação, desde 1981, ano em que os médicos em Nova Iorque e Los Angeles notaram que um número considerável de jovens saudáveis começaram a procurá-los com sintomas muitos estranhos que incluíam a perda súbita e severa de peso, infecções agressivas de herpes, infecções letais nos pulmões e cérebro e cancros raros.  Mais ou menos na mesma altura, os médicos na França, no Zaíre e no Haiti também começavam a notar um síndroma semelhante tanto em homens, como em mulheres.

O que mais intrigava os médicos era o facto destes pacientes todos terem em comum o facto de estarem a morrer com infecções para as quais a maioria das pessoas saudáveis estava imune. Os médicos estavam intrigados, sobretudo, com o facto de não poderem encontrar uma causa óbvia para o novo síndroma.

Se se pudesse estabelecer uma linha cronológica para a doença, então 1981 seria a data que marcava oficialmente o início da epidemia da Sida.

A doença mistério

Vírus da SidaComo já vimos, foi em 1981 que os médicos de Nova Iorque e Los Angeles começaram a notar uma doença estranha em jovens que até então eram muito saudáveis.

Em 1983, os investigadores franceses já tinham isolado um vírus - que mais tarde receberia o nome de VIH (Vírus de Imunodeficiência Humana).  Juntamente com outros investigadores, este grupo conseguiu ligar o vírus ao desenvolvimento da Sida (Síndroma de Imuno-Deficiência Adquirida), sem contudo ter descoberto um teste que pudesse diagnosticá-lo.  Aliás, este teste só viria a aparecer alguns anos mais tarde.

O VIH é estranho porque infecta as próprias células do sistema ímune que nos protegem contra o ataque de outros vírus, bactérias e outros micróbios.  Uma vez infectado, o sistema imune da pessoa lança um contra-ataque com a produção massiva de células saudáveis.  Por algum tempo, o vírus aparenta estar contido.  Na verdade, fisicamente as pessoas que são VIH positivas não  tem aparência diferente de uma pessoa saudável.

No entanto, no interior do corpo de alguém infectado com o VIH trava-se uma grande luta entre biliões de micróbios e células saudáveis que são criadas e destruídas num único dia.  Depois de dez ou mais anos de luta, o sistema imune começa a entrar em colapso.  É nesta etapa que a maioria das infecções - que não passam de meros incómodos para as pessoas saudáveis - se tornam letais com o desenvolvimento da Sida. Invadido constantemente por infecção atrás de infecção, o corpo acaba por não aguentar.

Inicialmente considerada uma misteriosa praga homossexual, a Sida é agora, segundo os investigadores puderam determinar, uma doença transmitida através de relações sexuais não protegidas, de partilha de agulhas usadas para injectar drogas, de transfusões de sangue contaminado e de amamentação se a mãe estiver infectada.  O VIH já se espalhou ao ponto de um por cento dos adultos sexualmente activos em todo o mundo estar infectado com o vírus.

Afinal, o que é a Sida?

SidaA sigla VIH significa Vírus de Imunodeficiência Humana. O VIH é o vírus que causa a Sida (Síndroma de ImunoDeficiência Adquirida).  Como já foi dito, uma vez contraído o vírus, o sistema imunológico do ser humano começa a perder gradualmente todas as capacidades de defesa contra outros vírus, bactérias e micróbios, dando-se assim o início de vários problemas de saúde.  A Sida é a parte mais avançada e grave da infecção pelo vírus VIH.

Prevenção

A melhor forma de combater o vírus da Sida é a prevenção e o saber falar sobre o tema sem preconceitos.  As pessoas sexualmente activas devem, em primeiro lugar, informar-se sobre a avaliação de risco.  A Sociedade Canadiana da Sida criou uma tabela de quatro etapas sobre as actividades que representam Alto Risco, Baixo Risco, Risco Insignificante e Sem Risco.  Saber que actividades se classificam em cada uma destas etapas é o dever de todos.

O uso de preservativo é uma das formas mais eficazes de prevenção e, como tal, deverá ser usado sempre durante relações sexuais.

Números da epidemia em 2008

* O número de pessoas com VIH/sida em 2007 era de 33 milhões em todo o mundo.
* O número de novas infecções na África sub-sariana era de cerca de 1.9 milhões em 2007 - cerca de 67 por cento do total mundial.
* O número de crianças infectadas com o VIH em 2007 era de dois milhões, 90 por cento das quais residentes na África sub-sariana.
* Número de novas infecções na América do Norte: cerca de 54 mil em 2007. O número de mortes causadas pela sida, na mesma região, atingiu os 23 mil.
* O primeiro grupo de sobreviventes a viver 20 ou mais anos está agora a chegar à faixa etária dos 50 e começam a sofrer de um envelhecimento rápido e prematuro.  Anos de medicação combinados com os efeitos da própria doença voltaram a deixá-los muito vulneráveis.  Doenças cardiovasculares, osteoporose severa, diabetes e cancros oportunísticos são apenas algumas das doenças que enfrentam.

As Nações Unidas deram a conhecer no relatório publicado em Julho de 2008 que a epidemia da Sida tinha estabilizado, embora tivessem alertado os governos para continuarem a investir milhões no seu tratamento.

Os melhoramentos no tratamento têm sido significativos, segundo o relatório, com cerca de três milhões de pacientes a tomarem medicamentos, em relação aos 300 mil registados em 2003.  O relatório lembrava que o financiamento a todos os níveis terá, no entanto, de aumentar consideravelmente para se conseguir o objectivo de acesso universal até 2010.

O número de mortes causadas pela sida, em 2007, atingiu dois milhões, segundo o relatório da ONU, menos 2.2 milhões do que em 2005.

Em Junho de 2008, a ONU voltou a publicar um relatório mais preocupante, em que dava a conhecer que, não obstante os progressos feitos na luta contra a Sida, o número de pessoas a serem infectadas todos os anos estava a aumentar em relação às que tinham acesso ao tratamento anti-retroviral.  Dos 2.5 milhões infectados em 2007, apenas um milhão iniciou o tratamento.

A Sida no Canadá


O Canadá registou o primeiro caso de Sida em 1982.  A Agência Canadiana de Saúde Pública acredita que no final de 2005 havia 58 mil pessoas a viver com Sida. Dessas, segundo a agência, 15 mil, ou seja, 25 por cento, não sabe que está infectada.

Segundo a mesma entidade, a taxa de infecções no Canadá tem permanecido mais ou menos estável com aproximadamente 2.500 novos casos cada ano.  No entanto, o número de mortes tem diminuído com o avanço dos tratamentos médicos que contribuem para o prolongamento da vida dos infectados.

O maior número de novas infecções ainda continua a registar-se entre homens que têm relações sexuais com outros homens. Aqui, o número de infecções é de 45 por cento do total.  Em segundo lugar, encontram-se as mulheres que representam 27 por cento das novas infecções e mais de 20 por cento da população que vive com Sida no Canadá.  No entanto, a maior taxa de novas infecções está a aumentar drasticamente entre os grupos aborígenes.  Em 2005, este grupo foi responsável por nove por cento das novas infecções, ou seja, três vezes mais do que nos outros grupos.

Aids Committee of Toronto - ACT

ACTO ACT é o AIDS Committee of Toronto (Comité da Sida de Toronto). O ACT tem vindo a oferecer serviços para homens, mulheres e jovens que têm questões sobre o VIH/HIV e/ou SIDA/AIDS.

Todos os serviços do ACT são gratuitos e oferecem uma variedade de programas que podem ajudar as pessoas com sida e familiares a viver melhor.

O ACT oferece serviço de aconselhamento, apoio, palestras e outros serviços práticos de apoio às pessoas que vivem com VIH/AIDS. Possui uma biblioteca aberta ao público com uma grande colecção de livros, fitas-cassete e muita informação sobre vários tópicos. O ACT também oferece a muitas comunidades sessões informativas de educação e prevenção sobre o VIH/HIV e/ou SIDA/AIDS.

Descubra as diferentes formas com que o ACT o pode ajudar. Ligue, visite-os pessoalmente, ou contate-os através da Internet. Veja também o que o comité VIVER tem para lhe oferecer.

AIDS walk for life

Walk for LifeA caminhada "AIDS walk for life" deste ano conta com novos progras, novas actividades e entretenimento.  Todas estas actividades têm como objectivo financiar os programas de apoio às pessoas que vivem com VIH/SIDA através do ACT.

Este ano, a Miss Universe Canada, Mariana Valente, junta-se à caminhada dos ídolos "Walk Idols" na tentativa de aumentar a consciencialização da nossa comunidade para os assuntos ligados à Sida.  

A caminhada é no domingo, dia 13 de Setembro, com início às 14h00. As doações provenientes da caminhada vão financiar os programas de apoio prático e social que a ACT oferece às pessoas infectadas ou afectadas pela sida. Os programas incluem actividades para: Amigos, Dia da Demência, Banco de mobília, Auxílio a mudanças e locomoção, Medicinas Naturais, Retiro para pessoas que vivem com Sida e Assistência com Declaração de Impostos, entre outros.

"O nosso objectivo é proporcionar apoio às pessoas que vivem com VIH/Sida, levar o conhecimento ao público em geral e colocar um fim a esta terrível doença.  Só quando isso acontecer é que poderemos celebrar", afirma Michael Mitchell, presidente da comissão organizadora da caminhada deste ano.  "Desde 1985 a 2005, Toronto registou 30 por cento da totalidade de testes positivos feitos no Canadá.  Por isso, temos um trabalho muito importante à nossa frente".

Para além dos quiosques com comida, bebida e patrocinadores, a caminhada apresenta, este ano e pela primeira vez, um mercado livre com comerciantes locais onde poderá comprar produtos variadíssimos a preços irrisórios, assim como uma zona para crianças onde haverá muitos jogos e brinquedos para manter as crianças ocupadas.

Para mais informações, poderá contactar o ACT. Fale com André Ceranto através do 416.340.8483, ext. 242, aceranto@actoronto.org ou Ana Mateus, 416.340.8484, ext. 290, amateus@actoronto.org.

Ana Fernandes-Iria

Ficheiros: Arquivos bibliotecários, Sociedade da Sida do Canada e  o ACT.